Todos os anos, milhões de euros em Benefícios Fiscais ao investimento ficam por aproveitar. A razão raramente é falta de elegibilidade, mas um conjunto de ideias erradas que afastam empresários e diretores financeiros antes mesmo de avaliarem se o seu investimento se qualifica para RFAI ou SIFIDE.
Este artigo desconstrói os principais mitos sobre Benefícios Fiscais e explica porque vale a pena olhar para este tema com outros olhos, especialmente em 2026, ano em que o prazo de entrega da Declaração Modelo 22 de IRC foi prorrogado até 30 de junho, abrindo uma janela adicional para otimizar o RFAI relativo a investimentos de 2025.
Principais mitos sobre Benefícios Fiscais em 2026
“É muito trabalho burocrático e não vale o esforço”
Esta é, de longe, a ideia mais difundida, e também a mais enganadora. É verdade que o processo de identificar despesas elegíveis, reunir documentação de suporte e preparar o dossier técnico e fiscal exige rigor. O que não é verdade é que esse trabalho tenha de ser feito pela empresa.
Quando o processo é acompanhado por uma equipa especializada, o esforço interno da empresa reduz-se, na prática, à disponibilização de informação que já existe nos seus sistemas (faturas, contratos, registos de investimento), e não à montagem do dossier em si.
O verdadeiro custo de não avançar não é o tempo poupado, mas o valor de IRC que a empresa continua a pagar integralmente, quando uma parte significativa desse investimento poderia ser deduzida.
“O risco de auditoria é demasiado elevado”
O receio de uma inspeção da Autoridade Tributária é legítimo, mas a origem real do risco tem sobretudo a ver com o rigor da preparação e o cuidado no acompanhamento.
Um dossier bem fundamentado, com enquadramento legal correto, despesas corretamente classificadas como elegíveis, e evidência documental consistente, reduz drasticamente a exposição da empresa a correções ou contestações futuras. De igual modo, quando o acompanhamento é assegurado por especialistas, é mais fácil preparar auditorias com tranquilidade e descontração.
Por outras palavras, o risco não desaparece por não se candidatar; simplesmente transforma-se noutro tipo de perda, a do benefício que a empresa nunca chegou a reclamar.
“Os prazos já passaram, ou são demasiado curtos”
Esta é talvez um dos mitos sobre benefícios fiscais mais equivocados, pois ignora duas realidades importantes.
Primeiro, vários Benefícios Fiscais ao investimento, como o RFAI, podem ser reportados relativamente a investimentos já realizados no exercício anteriore, não exigindo que a despesa seja feita no próprio ano da candidatura.
Segundo, o calendário fiscal português tem, com frequência, ajustes e prorrogações que abrem janelas de oportunidade adicionais, mesmo quando a empresa já considerava o prazo encerrado.
É precisamente isto que está a acontecer agora.
“Não tenho informação suficiente para saber se me qualifico”
Muitas empresas assumem que só projetos de grande dimensão, ou setores muito específicos, são elegíveis para Benefícios Fiscais ao investimento.
Na prática, regimes como o RFAI aplicam-se a investimentos correntes em ativos tangíveis (máquinas, equipamentos) e intangíveis, desde que afetos à exploração da empresa, e o SIFIDE abrange despesas de investigação e desenvolvimento que, com frequência, já estão a ser feitas sem que a empresa as identifique como tal.
Para saber se a sua empresa pode usufruir do RFAI ou do SIFIDE em 2026, podemos fazer um diagnóstico gratuito para saber qual o enquadramento certo para o seu caso.
Qual é o prazo do RFAI em 2026? Por que o adiamento da Modelo 22 é uma oportunidade
O Ministério das Finanças prorrogou, através do Despacho n.º 81/2026-XXV, o prazo de entrega da Declaração Modelo 22 de IRC relativa ao exercício de 2025 até 30 de junho de 2026, sem acréscimos ou penalidades. Esta prorrogação dá uma nova oportunidade às empresas que ainda não fecharam o levantamento de investimentos elegíveis para o RFAI.
Como o RFAI é deduzido diretamente na coleta de IRC apurada na Modelo 22, estas semanas adicionais permitem rever com mais rigor todos os investimentos realizados em 2025, confirmar que a documentação de suporte está em conformidade, e garantir que nenhuma despesa elegível fica de fora da declaração.
Como combinar benefícios fiscais com apoios do Portugal 2030 em 2026?
Há, no entanto, uma camada estratégica que vai além do prazo de 30 de junho, e que muitas empresas ainda não estão a explorar.
Mesmo que uma empresa não consiga otimizar a tempo o RFAI relativo a 2025, está atualmente a decorrer o aviso de Inovação Produtiva do Portugal 2030, que apoia novos projetos de investimento com incentivos a fundo perdido.
Isto significa que, em vez de tratar o RFAI 2025 e os incentivos do Portugal 2030 como duas oportunidades isoladas, uma empresa pode planear desde já os seus próximos investimentos de forma a beneficiar simultaneamente de incentivos financeiros a fundo perdido e de benefícios fiscais ao investimento nos anos seguintes.
Esta articulação entre instrumentos, quando pensada com antecedência, transforma decisões de investimento isoladas numa estratégia fiscal e financeira coerente, com impacto direto na capitalização da empresa.
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Os Benefícios Fiscais ao investimento existem precisamente para reconhecer e incentivar o esforço que as empresas portuguesas já fazem todos os anos. Na Estrategor, apoiamos as empresas em todo o processo, desde o diagnóstico das despesas elegíveis à preparação do dossier técnico e fiscal, e à articulação entre Benefícios Fiscais e incentivos financeiros do Portugal 2030.
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