Com mais de 1,1 milhões de certificados emitidos em todo o mundo, a norma de qualidade ISO 9001 ajuda as organizações a demonstrar aos clientes que podem oferecer produtos e serviços de forma consistente e com boa qualidade. Também atua como uma ferramenta para agilizar os processos das empresas e assim torná-los mais eficientes.
Contudo, apesar da sua vasta aplicação, é imperativo continuar a atualizar as Normas de qualidade de modo a fazer face aos novos desafios do mundo contemporâneo. Por isso mesmo a edição das normas ISO 9001 de 2015 apresenta uma série de mudanças importantes que Nigel Croft, presidente da comissão que desenvolveu e reviu as normas padrão, classificou como “evoluídas mais do que revolucionárias. Estamos apenas a trazer as normas ISO 9001 com toda a força para o século XXI. Nas edições de 2000 e 2008, concentramo-nos mais na gestão de processos, e menos na documentação.”
Estas normas pretendem ajudar as empresas e organizações a integrarem com maior facilidade a totalidade ou parte de seus vários sistemas de gestão com a nova estrutura comum. O objectivo é simples e claro: alcançar finalmente um sistema de gestão verdadeiramente unificado. Esta estrutura comum facilita às empresas a incluírem componentes de outras normas, que considerem relevantes.
“Sabendo que as organizações de hoje têm vários padrões de gestão em vigor criamos a versão de 2015 para ser facilmente integrada com outros sistemas de gestão. A nova versão também fornece uma base sólida para os padrões de qualidade de cada setor (automotivo, aeroespacial, médica, etc.), e tem em consideração as necessidades dos reguladores”, explicou ainda Nigel Croft.
A outra grande mudança introduzida pela última revisão às normas ISO 9001 é o foco no desempenho da empresa. Até agora, as normas ISO têm conseguido isto através da combinação da abordagem de processos com o pensamento baseado no risco, empregando o ciclo Plan-Do-Check-Act em todos os níveis da organização.
A gestão de risco, com base na abordagem de “risk thinking”, tornou-se fundamental nesta nova norma, onde precisamente a identificação do risco, qualificação e gestão são prioridades. Isto pressupõe que a qualidade advém da gestão adequada de todos os riscos, que vão além dos objetivos específicos dos produtos ou dos serviços prestados pelas entidades e empresas.
Em suma, a qualidade não pode existir a menos que a organização possa fornecer ao seu cliente um produto ou serviço em conformidade a longo prazo. “O mundo mudou, e esta revisão provou isso mesmo. A tecnologia está a aumentar as expectativas dos clientes e das empresas. Certas barreiras ao comércio caíram devido a tarifas mais baixas, mas também por causa de instrumentos estratégicos como as Normas Internacionais. Estamos a verificar a uma tendência para as cadeias de fornecimento globais mais complexas que exigem uma acção integrada. Assim, as organizações precisam de actuar em novas formas inovadoras e os nossos padrões de gestão da qualidade precisam de manter essas expectativas. Estou confiante de que a edição de 2015 da ISO 9001 podem ajudá-los a alcançar este objectivo”, acrescenta Nigel Croft, sintetizando os motivos que orientaram esta revisão.
Como é a nova estrutura das Normas?
As novas estruturas das normas ISO 9001 e ISO 14001 de 2015 obedecem ao Anexo SL criado pela ISO – International Organization for Standardization com o objectivo de simplificar a integração dos vários sistemas de gestão que uma organização integre na sua acção, além de facilitar a leitura e interpretação dos requisitos normativos.
O Anexo SL enquadra um sistema de gestão genérico, sendo formado por várias parcelas. No entanto o Apêndice 2 será mais percepcionado pelos utilizadores das normas, estando dividido em 3 capítulos:
• Estrutura de Alto Nível
• Texto base idêntico
• Termos e definições comuns
Tanto a ISO 9001:2015 como a ISO 14001:2015 já integram o Anexo SL.
Verifica-se que com as novas versões da ISO 9001 e ISO 14001 há menor espaço para equívocos e em simultâneo maior coerência, pois os termos comuns assumem a mesma definição e as duas normas de referência passam a assimilar requisitos comuns.
A Estrutura de Alto Nível subdivide as cláusulas em 10 secções, de acordo com a abordagem PDCA e criando assim uma sequência lógica dos requisitos dos sistemas de gestão, sugerindo texto comum para requisitos estabilizados dos sistemas de gestão, como por exemplo a informação documentada, ações corretivas, auditorias internas, revisão pela gestão, entre outros parâmetros.
Assim, as novas versões da ISO 9001 e ISO 14001 apresentam a seguinte estrutura:
1. Âmbito
2. Referências normativas
3. Termos e definições
4. Contexto da organização
5. Liderança
6. Planeamento
7. Suporte
8. Operação
9. Avaliação de desempenho
10. Melhoria